Podemos aumentar a dosagem?

Publicado em 05 de março de 2013.

“Podemos aumentar a dosagem? Porque eu ainda sinto coisas…”. fonte: www.theurbaneurbanite.com.

Apesar de ser um cartoon, eu me pergunto  se não estamos caminhando aqui no Brasil para uma política americana de saúde, na qual se faz a medicalização excessiva de tudo. Lá isso tem um nome: “a pill for every ill” ou seja, um remédio para cada problema existente. E a idéia é desenvolver cada vez mais novos remédios para o crescente número de sintomas diferentes. Tome por exemplo doenças modernas como a síndrome do pânico ou os distúrbios de atenção, que assolam milhares de pessoas.

É absolutamente normal durante várias fases da vida ficarmos tristes, hiperativos, eufóricos ou até mesmos ensimesmados. O que acontece hoje é que subitamente com a nomeação de cada sub-síndrome psicológica, tentamos nos enquadrar em algum tipo de diagnóstico e rapidamente tendemos a buscar um diagnóstico e consequentemente algum remédio que dê conta do recado. Está faltando atualmente espaço físico e mental para a expressão e para podermos ter nossos rompantes, sem incomodar os outros ou a nós mesmos.

Eu não sou contra a utilização de remédios, ao contrário. Acho que muitas vezes precisamos deles para controlar estados exacerbados ou muito traumáticos. Mas fato é que a medicalização excessiva de tudo tem atingido cada vez maior número de pessoas, em especial as crianças. E isso é sim muito preocupante…

Antes de sairmos medicando todo tipo de sintoma, desde deficiências de atenção, tristeza ou hiperatividade, vale a pena investigar mais profundamente se não existe algum componente psicológico ou ambiental interferindo no nosso bem estar e consequentemente em nossa resposta e atuação perante a vida. Em condições normais o corpo reage de forma positiva à retirada de pressões excessivas por resultados, cobranças demais ou medos infundados. Mais ainda, se aliado a isso conseguimos um tempo maior junto à natureza e se buscamos nos alimentar de formas mais saudáveis. Mas para isso, muitas vezes é preciso nos distanciarmos do ambiente que está causando os problemas.

E para todos os males, o exercício e o relaxamento são também grandes aliados naturais para atingirmos o equilíbrio hormonal e emocional.  Mas se nada disso adiantar, a ajuda psicológica busca encontrar de forma mais profunda as causas mentais do adoecimento. Eventualmente, a ajuda psiquiátrica pode ser providencial e sugerir ainda remédios como coadjuvantes para esse fim. Os medicamentos possuem a grande vantagem de reverter rapidamente os quadros de sofrimento, sejam eles de tristeza ou excesso de atividade mental. Infelizmente o que eles não curam é a causa…E daí o problema de ficarmos dependentes de remédios para viver, o que acaba causando grandes problemas ao longo do tempo.

Por isso cabe a cada um avaliar, pesquisar, refletir e buscar soluções mais naturais e menos invasivas quimicamente. O corpo possui uma capacidade única de se regenerar e encontrar novamente o equilíbrio. Temos sim percalços e devemos cuidar para que as dores físicas e mentais sejam, se possível, temporárias e passageiras.  Mas sem esse entendimento, corremos o risco de ficarmos  escravos de compostos químicos, que ao longo do tempo podem nos tornar dependentes e incapazes de viver uma vida longe dos remédios e consequentemente da alegria verdadeira de viver.

boa semana!


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