Michael Pollan, contra o “nutricionismo” americano

Publicado em 24 de novembro de 2014.

michael-pollan-em-defesa-da-comidaFoi uma grata surpresa ver o meu pensamento expresso em palavras por um americano chamado Michael Pollan. Ele publicou há alguns anos as razões que acredita estarem causando o adoecimento em massa da população americana. E eu, em meu livro Terapia Integrativa, acredito que estamos seguindo exatamente o mesmo caminho. Isso porque muitos anos atrás decidimos imitar os americanos como ideal de  vida, na música, no consumo de produtos e na alimentação. Não concorda? Pense nos carros que preferimos: SUVs. Pense agora nos locais que consideramos ideais para compras? Shopping Centers. Pense por último no tipo de “restaurantes” que invadiram nosso país? Isso mesmo, cadeias de Fast-Food, terra dos maravilhosos sanduíches recheados de glutamato (conheça a história do Glutamato Monossódico aqui:  http://vidaintegrada.com.br/?p=1144). Não precisamos ir muito longe para ver que deixamos há muito tempo nossa cultura tradicional para assumirmos diversos valores americanos. Entre os mais deletérios está a fast-food e a comida pronta dos supermercados.

Quando eu era criança, ainda existia o hábito de comprar comida congelada, mas naquela época era comida de verdade, não um conjunto de aditivos e massas que se parece com comida, mas não é.  Naquela época, também era possível comprar leite de vaca sem pasteurização e  frutas e vegetais com uma quantidade muito menor de pesticidas, agrotóxicos e outros venenos. Aliás, neste quesito, atualmente consumimos mais do que todo o mundo agrotóxicos lícitos e ilícitos na agricultura. Já parou para se perguntar porque será que sempre conhecemos alguém que adoeceu de câncer ou sérias doenças  degenerativas, que estão muito mais presentes agora do que há um século? Infelizmente, não é por acaso, ou por destino…É sobre isso que fala Michael Pollan em seu livro:  “Em defesa da Comida”

Apenas para citar um exemplo, ele explica como os venenos químicos foram das guerras para a mesa. Sim, as companhias de agrotóxicos fabricavam venenos de guerra. Como por exemplo a substituição da manteiga por margarina, (algo que se parece mais com plástico e que não apodrece nem no deserto) não resultou em menores taxas de mortes por ataques cardíacos. Ele explica como a indústria americana, subsidiada por 26 bilhões de dólares fabrica milhares de novos produtos a cada ano que na verdade são grandes compostos de milho, açúcar e gordura.

Ainda não está convencido que copiamos os EUA? Então responda, quais são os três piores produtos para se consumir no Brasil? Acertou: Soja, milho e algodão, por terem sua cultura transgênica em quase 100% e consequentemente estarem profundamente envenenados por agrotóxicos de forma endêmica, ou seja venenos que fazem parte da própria planta e não saem nem lavando, nem esfregando, nem descascando…

Em seu livro, ele defende regras simples, como voltarmos a cozinhar, prepararmos a nossa comida em casa e duvidarmos de tudo aquilo que tiver mais do que cinco ingredientes, especialmente os impronunciáveis (experimente ler os rótulos das comidas prontas no supermercado). As comidas de verdade, duram pouco, estragam e eventualmente mofam, como acontece com tudo o que é VIVO. Duvide de coisas que duram semanas ou meses sem estragar, provavelmente não há comida ali…apenas um bando de produtos químicos tratados, esbranquiçados e preservados, com uma leve fragrância artificial.

Em tempos de perda de referências, cultura e identidade, vale retomar velhos hábitos e colocar a bela cozinha que adquirimos para funcionar. Comprar produtos orgânicos, frescos e de procedência pode ser mais caro, mas é a única saída que temos para tentar manter a saúde, num mundo corrompido por rótulos bonitos e ingredientes que formam listas intermináveis de substâncias químicas. Acredite, seu corpo irá agradecer.

Para saber mais: Michael Pollan, Em Defesa da Comida.  – Rio de Janeiro, Ed. Intrínseca, 2008.


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