Em busca de sentido…

Publicado em 26 de maio de 2013.

Este final de semana foi de bastante imersão cultural. Continuei a ver alguns espetáculos de teatro e dança moderna, como de costume. E uma vez mais me decepcionei com o que vi. Não pela ausência de recursos cênicos, tais como câmeras filmando ao vivo, cenários elaborados ou ainda projeções em telão de vários tipos. Isso estava de acordo com os clichês, como por exemplo filmar a cena e projetá-la ao mesmo tempo num telão, repetir as frases faladas em ilustrações projetadas na tela, ou ainda encenar um trecho e filmar a reação do público ao mesmo tempo. Enfim, recursos técnicos e visuais não faltaram…

Mas o que faltou e tem deixado uma saudade uma constante nos últimos espetáculos aos quais tenho assistido tem um nome: conexão. No sábado, comentava ainda com um amigo o que tínhamos acabado de ver, quando ele tirou as palavras da minha boca: ” acho que faltou conexão”. Bingo, era exatamente o que eu havia pensado. Sobrou performance, saltos, cenários e faltou realmente “dizer “algo com tudo aquilo.

É preciso construir significados… Ajuda também se a dinâmica também não for toda entregue na primeira cena, o que em dança nos obriga a continuar a ver repetições e variações sobre o mesmo tema. E isso é muito chato. No teatro, inventar uma peça dentro da peça, alternar os papéis constantemente ou mudar as cenas sem clareza, pode apenas servir para confundir e fazer o sentido global da peça se perder.

Pior ainda, quando falta conexão, encadeamento, o resultado fica monótono e previsível. Sem nenhuma tese sobre o assunto, basta dar uma rápida espiada nos expectadores em suas cadeiras. Durante minhas últimas incursões aos templos de cultura, vi alguns levantaram-se e saírem no meio, outros afundaram em suas cadeiras até o pescoço e uns últimos chegaram a roncar, mesmo com muito movimento em cena.

Talvez o que está acontecendo nos palcos seja apenas o reflexo do que está acontecendo na vida de muitas pessoas, e de muitos diretores, essa ausência de sentido. Trata-se do famoso caso no qual a arte imita a vida. Minha experiência em consultório também diz que muitas vidas tem experimentado esse mesmo problema…drogas, sexo, esportes radicais e velocidade muitas vezes entram como pobres substitutos para isso.

Nossa busca frenética pelo movimento, pela verborragia, pela inovação gratuita sem uma razão de ser, tem nos distanciado do simples e do belo. Simplificar as coisas pode ser benéfico em vários campos: na alimentação, nos relacionamentos, nas atitudes e claro nas artes também. A grande verdade é que a simplicidade pode ser plena de significado e realização. E é isso que nos dá o prazer de nos sentirmos parte do que está sendo apresentado. Ficamos frustrados quando isso não acontece. Ter coerência é sempre importante. No caso dos espetáculos, os diretores deixam passar a preciosa oportunidade de comungar com o público. E é isso que deixa a nós, espectadores, boiando no vazio…E não adianta abrir para um debate póstumo. Ou a coisa aconteceu ou não. Simples assim!

Acho que já vimos de quase tudo! Já está na hora de simplificarmos as formas de expressão, para precisamente torná-las mais verdadeiras. Um bom filme se faz a partir de um ótimo roteiro e não apenas de efeitos especiais. Talvez isso também ajude a tornar nossas vidas mais apaixonantes, e portanto mais cheias de sentido. A expressão no rosto, agradeceria…


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