Ofereça seu esforço e erradique o verbo “desistir”.

Publicado em 22 de dezembro de 2013.

Muitas vezes em Yoga, pensamos em desistir. Especialmente no começo. Quando falo em “começo”, estou querendo dizer os primeiros anos, talvez o “começo” dure os 5 primeiros anos, ou um pouco mais… Sim, não é um assunto para ser digerido em algumas semanas ou mesmo meses, trata-se de uma disciplina para a vida.

É muito comum ver alunos ou amigos que começaram, fizeram um mês ou dois e resolvem que não foram feitos para aquilo. Desistem pelo mero fato de se confrontarem com seus próprios medos, suas impossibilidades e dificuldades com a prática e com a disciplina. Mas esse é o exato momento de parar, observar e de seguir em frente. Se formos capazes de seguir em frente, apesar das dificuldades (que não sou poucas), a prática de Yoga poderá nos ajudar a entender que todos fomos feitos para tudo, desde que exista o desejo.

O desejo é o motor de toda e qualquer conquista. Mas o processo supõe inúmeras tentativas, aproximações e erros para quem sabe, um dia, saborearmos algumas conquistas relativas: algumas posturas, um maior controle da respiração, das sensações do corpo ou o que é mais importante, da própria mente e dos desejos e preocupações que nos assolam a todo momento. Sim, você leu corretamente. Por um desejo maior de evolução e descoberta, um dia, talvez, seremos capazes de controlar as preocupações e desejos superficiais que nos assaltam durante 99,8% do tempo disponível.

Não é uma transformação simples, tampouco é rápida. Colocar um avião em vôo, requer grande velocidade em terra e condições de tempo adequadas, além de total preparação do(s) piloto(s). É impossível alçar vôo sem antes termos nos preparado para isso. Por isso mesmo, a prática visa a nos tornar mais fortes (fisicamente) e mais leves (mentalmente), preparando o corpo e a mente para alcançar estados mais sutis. E grande parte da preparação envolve suar a camisa, torcer as vísceras e controlar a respiração, nos confrontando com nossas próprias impossibilidades.

No final, é um processo mágico cujos benefícios são recebidos diretamente por quem pratica. Os outros então deixam de ocupar um lugar de julgamento e comparação e tornam-se participantes do processo evolutivo, onde cada um deve assumir a responsabilidade por trilhar o próprio caminho, de acordo com seu interesse, capacidade e possibilidade.

Por isso que terminamos sempre oferecendo o nosso esforço, a nossa prática. Relembramos a tradição que sobreviveu por milhares de anos, passada de mestre a discípulo. Nos sentimos privilegiados por poder tomar contato com esse conhecimento milenar que servia tanto há 5.00 anos, como nos serve nos dias atuais.

Um grande Natal e um Ano Novo recheado de belas práticas.

Namaste! 

 


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