Respire…

Publicado em 25 de outubro de 2013.

Asana é uma conversa entre uma posição previamente definida  e normalmente demonstrada pelo instrutor, e nossas próprias limitações, incapacidades, e dificuldades no processo de chegar próximo dessa postura ou nossa facilidade, empenho e capacidade de atingi-la, não importa muito qual seja o caso…ao menos, não hoje!
Em uma prática de Yoga, é muito comum fazermos uma série dessas posturas, que representam animais, sábios antigos, plantas, etc. São elas que movimentam os orgãos internos, tonificam a musculatura e os ossos e, principalmente, nos levam a determinados estados internos e de humor.
Mas hoje quis dar uma aula com um foco diferente, sem tanto movimento, talvez um parênteses, entre uma coisa e outra coisa. Uma suspensão, ou uma pausa na vida em geral corrida dos alunos, que normalmente estão indo de uma atividade para outra, sem muito tempo para parar. Então hoje a pausa foi a própria aula…
Talvez pudesse também se chamar de suspensão, ou kumbhaka, tecnicamente falando. Aquele momento entre uma respiração e a outra, onde ainda tudo pode acontecer, mas nada ainda efetivamente se passou. Por isso mesmo, ao contrário do que seria esperado, não praticamos nenhum vinyasa (posturas em sequência), nem nada muito difícil ou desafiador. Praticamos posturas simples, com a idéia clara de permitir que o corpo se dissolvesse nele mesmo. Sem força, sem sofrimento, apenas a partir do relaxamento. Depois das posturas, a observação e a precisa manipulação da respiração (pranayamas), observando seus ritmos, suas pausas, suas ausências e seu eterno fluxo no peito.
Poder respirar conscientemente e nos apropriarmos desse processo é talvez a maior dádiva para a qual alguém possa despertar. Despertar sim e não receber, porque ela já é nossa, apenas não nos damos conta de sua presença nem de sua força vital. Assim, aos poucos, explorar cada um desses momentos com plena atenção, é o que torna cada vez mais claro o real significado de nos sentirmos vivos.
Respirar nesse estado é tornar-se capaz de observar além das aparências, de perceber o que não é dito, de observar nosso corpo por dentro, sem espelhos, nem disfarces. Sem precisar ir nem chegar em lugar algum. Nem se contorcer, nem inverter o corpo. Idealmente, nem ao menos se mexer…
E perceber que tudo, afinal, não passa de um sopro!


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